Fui agraciado com uma memória que por vezes me assusta.
Assusta pois vai buscar lembranças consideradas inexistentes.
Mas, ela me prova - está lá, aconteceu e foi assim e assado.
Não importa, essa memória vez ou outra vem me alegrar, cobrar e até assombrar com fatos acontecidos há muito tempo...
Tal memória, perfeccionista que é, me traz à tona até o cheiro.
Principalmente se remete à pessoa amada.
Cheiro levemente doce, olhar penetrante... um sorriso ao canto da boca.
Quantas vezes só o cheiro era o calmante para minha ansiedade.
E o olhar? Foi refúgio quando os pedidos com palavras não se expressavam bem.
O sorriso..
Ahhh esse sorriso.
Mesmo a quilômetros de distância curavam em mim qualquer tormento.
Como queria que tais memórias também fossem recíprocas.
E também o expressar delas...
Bendita (ou maldita?) memória.
Me aquece, logo após cobra e por fim, me choca com a realidade.
Ah memória, tão fiel e acusadora.
As feridas por sua embriaguez não sararam e já estou me embebedando novamente...

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